quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

As coisas simples da vida

Bom mesmo nessa vida é ser superficial. Tudo andando pra frente, na mais falsa normalidade.

E tudo bem. Pra que complicar, não é mesmo?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Você me pediu um cigarro - Fabrício Carpinejar

Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir.

Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo.

Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido.

Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto.

Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado.

Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala.

Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento.

Você foi covarde. Os trilhos serão filhos do mato. Nenhum trem mais para sair. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso.

O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano.

Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor.

Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.

Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia.

Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir.

Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás.

Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras.

Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber.

Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas.

Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade.

O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas.

Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa.

Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida.

O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.


Mais em http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Kill Bill Volume 2 - trecho do último diálogo. Para pensar.

As you know......l'm quite keen on comic books. Especially the ones about superheroes. I find the whole mythology surrounding superheroes fascinating. Take my favorite superhero, Superman. Not a great comic book. Not particularly well-drawn.

Mmm.

But the mythology...The mythology is not only great, it's unique.

How long does this shit take to go into effect?

About two minutes. Just long enough for me to finish my point. Now, a staple of the superhero mythology is, there's the superhero and there's the alter ego. Batman is actually Bruce Wayne, Spider-Man is actually Peter Parker. When that character wakes up in the morning, he's Peter Parker. He has to put on a costume to become Spider-Man. And it is in that characteristic Superman stands alone. Superman didn't become Superman. Superman was born Superman. When Superman wakes up in the morning, he's Superman. His alter ego is Clark Kent. His outfit with the big red "S" - that's the blanket he was wrapped inas a baby when the Kents found him. Those are his clothes. What Kent wears - the glasses, the business suit - that's the costume. That's the costume Superman wears to blend in with us. Clark Kent is how Superman views us. And what are the characteristics of Clark Kent? He's weak......he's unsure of himself......he's a coward. Clark Kent is Superman's critique on the whole human race. Sorta like Beatrix Kiddo and Mrs. Tommy Plimpton. The point emerges. You would've worn the costume of Arlene Plimpton. But you were born Beatrix Kiddo. And every morning when you woke up, you'd still be Beatrix Kiddo.

Are you calling me a superhero?

I'm calling you a killer. A natural born killer. You always have been, and you always will be.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

teste

˙ǝpɐpıunʇɹodo ɐ ɐpuɐ ǝpuo ɹod ɹǝqɐs ɐıɹǝnb ˙oɥuǝʇ áɾ nǝ oʇılɟuoɔ o ˙ǝpɐpıunʇɹodo + oʇılɟuoɔ = ǝsıɹɔ ǝnb ǝssıp ǝɯ ɯénƃlɐ

Oráculo

I-ching: "Em essência, o ser humano é bom. Apenas se ilude, achando que ser malvadinho o torna mais interessante."

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Não fale. Não me pergunte nada, muito menos responda.
Não me olhe torto, nem reto. Apenas não me olhe.
Não me peça, eu ordeno.
Não me critique, nem elogie. Não me irrite.
Não me prenda, nem me solte, não me toque.
Não me ignore, não me agrida, não me sufoque.
Não corra, mas ultrapasse esse caminhão antes, pelo amor de Deus.
Não sorria, você não está sendo filmado.
Não chegue perto, não fique longe, não mude o tom, não seja monótono.
Não insista. Não desista. Não exista.

Não quero ouvir, não quero ver, não quero emitir som algum. Quero ser invisível, dormir e acordar só depois de amanhã, quando essa leve tpm tiver acabado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

" O abandono do umbigo como referência central" - Quiroga para todos

"Enquanto isso, aqui na nave Terra o salto evolutivo de nossa humanidade continuará sendo retórico até que todas as pessoas caiam em si, abandonando o vício de tratarem seus semelhantes como estorvos que precisam ser eliminados, ou como objetos que precisam ser aproveitados ou manipulados de acordo com seus interesses particulares. O salto evolutivo de nossa humanidade depende inteiramente de uma revolução copernicana íntima, o abandono do umbigo como referência central, ao redor do qual tudo o mais deve orbitar, encontrando um centro que coloque todas as individualidades humanas no seguro caminho pelo qual se organizarão estabelecendo laços de cooperação mutua entre si. Sem esta condição, nada de novo acontecerá entre o céu e a terra.

domingo, 4 de novembro de 2007

Novo mantra

Anos de terapia, literatura auto-ajuda, filosofia barata e o conhecimento secreto do segredo mais bem guardado das mentes milionárias do universo podem resultar numa nova categoria de fracassadas: as perdedoras que se acham o máximo, apesar da vida estar sempre mostrando o contrário. Falo por puro conhecimento de causa, tá? Portanto, não se ofenda.

Querida, quando você se acha o máximo mesmo depois de tomar chapuletada atrás de chapuletada, o tombo é muito maior. Porque se você se conformasse com o fato de que é apenas uma mocinha normal, como outra qualquer, que tem milhares de defeitos e uma ou outra qualidade - e que aquele mocinho até que interessante tem 50% de chance de te querer e 50% de chance de te achar uma desvairada completa - perdê-lo simplesmente porque ele não está a fim não seria tragédia suficiente para te deixar deprimida por mais do que uma hora e meia. Agora, quando você se acha “The Queen of Black Coconut Candy”, dear... Aí o bicho pega: “Como assim?! Aquele merdinha me deu um pé na bunda!? Logo em mim!? Ah, mas isso não vai ficar assim... Não mesmo!!! Como ele ousa?!”. Aí, a luta para parecer gostosa e irrecusável acaba por te ridicularizar cada vez mais.

Como diria Ana Maria Braga: “Acooooooooooorda, menina!”. Relaxe, respire e recite comigo este novo mantra (mas antes, dê uma pausa na musiquinha da Danni Carlos):

sábado, 3 de novembro de 2007

Muito eu

Um dia baguncei o meu coreto e fiquei sem saber que merda de pessoa era eu no mundo e muito menos em que mundo estava. Às vezes, vejo coisas que me fazem lembrar vagamente. Não tem resgate. A gente é o que é e continua sendo o que foi, mesmo que só de vez em quando. Esta musiquinha que ouvi ontem, na madruga, passando por uma 23-de-maio-sem-luz me deu uma luz.

Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo ta fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
Às vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...


Depois, buscando no Vagalume pelas partes da letra que eu lembrava, descobri que quem canta é Danni Carlos (de quem eu já gostava da voz, mas achava um desperdício ela cantar todos aqueles covers e não ter música própria). Descobri também que a música está nessa novelinha ridícula das 8. Pelo menos é tema do Lázaro Ramos e da Débora Falabella, dois atores de que gosto muito.

Well, nem tudo está no lugar certo o tempo todo.

Ah, o compositor é Dudu Falcão.