quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Redondo

Sente? Sente que o ano está indo embora? Sente que o novo está chegando? Sente que daqui a menos de 48 horas você estará partindo para um outro universo, pisando em areia fofa, ouvindo o barulho do mar, rindo, rindo, rindo, sente? Hoje as azaléias do caminho falaram comigo pelo cheiro. Disseram “vai, que eu to aqui, do teu lado, à margem do seu caminho, te protegendo e tudo vai ser esplêndido logo mais”. Ouve a freqüência cardíaca desse ano diminuindo o ritmo? Pi... pi... pi... e daqui a pouco piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... Escuta o novo chegando, pi-pi-pi-pi-pi, coração a mil, é o novo, é a alma livre do peso, sente?

Você pode achar que é só uma data como outra qualquer, mas não é. Tudo funciona em ciclos, não tem jeito. As coisas podem não mudar no ano que vem, mas a gente pode! De um mês para o outro tudo pode mudar, mas as mudanças de um ano para o outro são muito maiores. É 2008, é redondo demais esse ano, já vem pronto pra dar certo. Não são as coisas que vão mudar no ano que vem, mas a gente vai voltar com tanta energia, com tanto tesão pra sair por aí produzindo, sair na loucura, fazendo, fazendo, fazendo tudo o que ficou pro ano que vem, que não tem como não dar certo.

Meu desejo pro seu ano novo é que você receba essa energia, de verdade, de peito aberto. Receba, distribua, movimente, desde o começo. Quando se trata de energia, aquele ditado -“quem guarda, tem” - não serve. Energia tem que ser movimentada. Vá descansar agora, aproveite, dance, cante, pule, nade, brinque, beije, transe, coma, mergulhe de cabeça, volte com essa alegria e essa paz e saia buscando tudo o que quer no fundo da sua alma.

Em 2008, tudo vai dar certo. Pode ter certeza.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Natal de todas as cores


O espírito natalino me domina. Parece que a pessoa se transforma em amor. Eu derramo amor pelo canto dos olhos. Eu sei que as coisas acontecem porque precisam acontecer, pra que a gente dê mais valor aos momentos bons. É por causa de anos como este, em que coisas não tão legais acontecem e coisas legais simplesmente deixam de acontecer, que o Natal fica tão mágico, tão absolutamente profundo e verdadeiro, tão amor, puro e simples. É o resgate do brilho nos olhos. É como se o meu maior sonho fosse realizado: entrar num túnel e sair vestindo a pureza que um dia já foi tão minha.
(Desenho de Orlando Pedroso)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Gilberto Gil - Copo Vazio

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar
É sempre bom lembrar
Guardar de cor
Que o ar vazio de um rosto sombrio
Está cheio de dor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor
Que a dor ocupa a metade da verdade
A verdadeira natureza interior
Uma metade cheia, uma metade vazia
Uma metade tristeza, uma metade alegria
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor
É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Aos falsos

"A minha forma de brincar é dizer a verdade. É a brincadeira mais engraçada do mundo."
Bernard Shaw

No dia em que você me vir mantendo a pose e fazendo a linha simpática só pra não criar conflito, pode ter uma certeza: você não faz a menor diferença na minha vida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Feliz Dia Novo!!!

Decidi: o dia é meu, a semana é minha e eu faço deles o que eu quiser. O ano está acabando e eu quero mais é acabar em paz! O tio Quiroga me autorizou. Disse que "se o mundo não quer se parecer com meus sonhos, então isto será pior para o mundo, pois meus sonhos, com certeza, haverão de prevalecer!"

Não importa o quão idiotas as pessoas se tornem. Eu sou mais eu e vou ser feliz!

Não vou nem esperar até o ano que vem. O meu dia faço hoje, agora, já!

Todo dia é um novo dia. Todo dia é reveillon na sua vida!

Boa semana pra você e Feliz Dia Novo!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

As coisas simples da vida

Bom mesmo nessa vida é ser superficial. Tudo andando pra frente, na mais falsa normalidade.

E tudo bem. Pra que complicar, não é mesmo?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Você me pediu um cigarro - Fabrício Carpinejar

Você foi covarde. Seu amor é forte, seu corpo é fraco. Você foi covarde como tantas vezes fui por acreditar que a coragem viria depois. A coragem não vem depois. A coragem vem antes ou não vem. Não posso amaldiçoar sua covardia. Sua boca não é rápida como suas pernas para me agarrar. Minhas pernas não são tão rápidas quanto minha boca para lhe impedir.

Você foi covarde. Pela gentileza de sempre dizer sim, repetidos sim, quando não estava ouvindo.

Já desfrutei de sua covardia, ríspido recusá-la agora porque não me favorece. Porque não fui escolhido.

Não aquecerei seu prato para servi-la. Não a ajudarei no parto. Não partirei. Serei aquele que deveria ter sido, enterrado sem morrer, o que desapareceu permanecendo perto.

Sou seu constrangimento mais alegre. Sua ferida, seu feriado.

Com o tempo, serei sua vontade de se calar. De se retirar da sala.

Não conhecerá meus hábitos de puxar o café antes de ficar pronto. De abrir as venezianas como quem procura reunir os chinelos ao vento.

Você foi covarde. Os trilhos serão filhos do mato. Nenhum trem mais para sair. Você foi covarde, ninguém iria compreendê-la. Hoje todos a compreendem, menos você mesma. Você não se compreende depois disso.

O que é imenso é estreito. O que é infinito fecha. Até o oceano tem becos e ruas sem saída. Até o oceano.

Sua esperança não diminui a covardia. Quer um conselho? Finge que a dor que sente é a minha para entreter sua dor.

Saudades ficam violentas quando mudamos de endereço. Saudades ficam insuportáveis quando mudamos de sentido.

Você confunde sacrifício com covardia. Compreendo. Eu confundo amor com loucura. Cada um tem seus motivos, sua maneira de se convencer que fez o melhor, fez o que podia.

Você me avisou que não tinha escolha. Nunca teria escolha. Você foi educada com a vida, pediu licença, agradeceu os presentes. Confiou que a vida logo a entenderia. E cederia. Engoliu uma palavra para dormir.

Não serei vizinho de seu sobrenome. Seus nomes esperam um único nome que ficou para trás.

Você não desencarnou, não se encarnou, deixou sua carne parada nas leituras.

Morrer é continuar o que não foi vivido. Vai me continuar sem saber.

Você foi covarde. Com sua ternura pálida, seu medo de tudo, sua polidez em cumprir as promessas.

Você não aprendeu a mentir. Tampouco aprendeu a dizer a verdade.

O dia está escuro e não soprarei a luz ao seu lado. O dia está lento e não haverá movimento nas ruas.

Você não revidou nenhuma das agressões, não revidará mais essa.

Você foi covarde. A mais bela covardia de minha vida. A mais comovida. A mais sincera. A mais dolorida.

O que me atormenta é que sou capaz de amar sua covardia. Foi o que restou de você em mim.


Mais em http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Kill Bill Volume 2 - trecho do último diálogo. Para pensar.

As you know......l'm quite keen on comic books. Especially the ones about superheroes. I find the whole mythology surrounding superheroes fascinating. Take my favorite superhero, Superman. Not a great comic book. Not particularly well-drawn.

Mmm.

But the mythology...The mythology is not only great, it's unique.

How long does this shit take to go into effect?

About two minutes. Just long enough for me to finish my point. Now, a staple of the superhero mythology is, there's the superhero and there's the alter ego. Batman is actually Bruce Wayne, Spider-Man is actually Peter Parker. When that character wakes up in the morning, he's Peter Parker. He has to put on a costume to become Spider-Man. And it is in that characteristic Superman stands alone. Superman didn't become Superman. Superman was born Superman. When Superman wakes up in the morning, he's Superman. His alter ego is Clark Kent. His outfit with the big red "S" - that's the blanket he was wrapped inas a baby when the Kents found him. Those are his clothes. What Kent wears - the glasses, the business suit - that's the costume. That's the costume Superman wears to blend in with us. Clark Kent is how Superman views us. And what are the characteristics of Clark Kent? He's weak......he's unsure of himself......he's a coward. Clark Kent is Superman's critique on the whole human race. Sorta like Beatrix Kiddo and Mrs. Tommy Plimpton. The point emerges. You would've worn the costume of Arlene Plimpton. But you were born Beatrix Kiddo. And every morning when you woke up, you'd still be Beatrix Kiddo.

Are you calling me a superhero?

I'm calling you a killer. A natural born killer. You always have been, and you always will be.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

teste

˙ǝpɐpıunʇɹodo ɐ ɐpuɐ ǝpuo ɹod ɹǝqɐs ɐıɹǝnb ˙oɥuǝʇ áɾ nǝ oʇılɟuoɔ o ˙ǝpɐpıunʇɹodo + oʇılɟuoɔ = ǝsıɹɔ ǝnb ǝssıp ǝɯ ɯénƃlɐ

Oráculo

I-ching: "Em essência, o ser humano é bom. Apenas se ilude, achando que ser malvadinho o torna mais interessante."

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Não fale. Não me pergunte nada, muito menos responda.
Não me olhe torto, nem reto. Apenas não me olhe.
Não me peça, eu ordeno.
Não me critique, nem elogie. Não me irrite.
Não me prenda, nem me solte, não me toque.
Não me ignore, não me agrida, não me sufoque.
Não corra, mas ultrapasse esse caminhão antes, pelo amor de Deus.
Não sorria, você não está sendo filmado.
Não chegue perto, não fique longe, não mude o tom, não seja monótono.
Não insista. Não desista. Não exista.

Não quero ouvir, não quero ver, não quero emitir som algum. Quero ser invisível, dormir e acordar só depois de amanhã, quando essa leve tpm tiver acabado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

" O abandono do umbigo como referência central" - Quiroga para todos

"Enquanto isso, aqui na nave Terra o salto evolutivo de nossa humanidade continuará sendo retórico até que todas as pessoas caiam em si, abandonando o vício de tratarem seus semelhantes como estorvos que precisam ser eliminados, ou como objetos que precisam ser aproveitados ou manipulados de acordo com seus interesses particulares. O salto evolutivo de nossa humanidade depende inteiramente de uma revolução copernicana íntima, o abandono do umbigo como referência central, ao redor do qual tudo o mais deve orbitar, encontrando um centro que coloque todas as individualidades humanas no seguro caminho pelo qual se organizarão estabelecendo laços de cooperação mutua entre si. Sem esta condição, nada de novo acontecerá entre o céu e a terra.

domingo, 4 de novembro de 2007

Novo mantra

Anos de terapia, literatura auto-ajuda, filosofia barata e o conhecimento secreto do segredo mais bem guardado das mentes milionárias do universo podem resultar numa nova categoria de fracassadas: as perdedoras que se acham o máximo, apesar da vida estar sempre mostrando o contrário. Falo por puro conhecimento de causa, tá? Portanto, não se ofenda.

Querida, quando você se acha o máximo mesmo depois de tomar chapuletada atrás de chapuletada, o tombo é muito maior. Porque se você se conformasse com o fato de que é apenas uma mocinha normal, como outra qualquer, que tem milhares de defeitos e uma ou outra qualidade - e que aquele mocinho até que interessante tem 50% de chance de te querer e 50% de chance de te achar uma desvairada completa - perdê-lo simplesmente porque ele não está a fim não seria tragédia suficiente para te deixar deprimida por mais do que uma hora e meia. Agora, quando você se acha “The Queen of Black Coconut Candy”, dear... Aí o bicho pega: “Como assim?! Aquele merdinha me deu um pé na bunda!? Logo em mim!? Ah, mas isso não vai ficar assim... Não mesmo!!! Como ele ousa?!”. Aí, a luta para parecer gostosa e irrecusável acaba por te ridicularizar cada vez mais.

Como diria Ana Maria Braga: “Acooooooooooorda, menina!”. Relaxe, respire e recite comigo este novo mantra (mas antes, dê uma pausa na musiquinha da Danni Carlos):

sábado, 3 de novembro de 2007

Muito eu

Um dia baguncei o meu coreto e fiquei sem saber que merda de pessoa era eu no mundo e muito menos em que mundo estava. Às vezes, vejo coisas que me fazem lembrar vagamente. Não tem resgate. A gente é o que é e continua sendo o que foi, mesmo que só de vez em quando. Esta musiquinha que ouvi ontem, na madruga, passando por uma 23-de-maio-sem-luz me deu uma luz.

Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo ta fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
Às vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...


Depois, buscando no Vagalume pelas partes da letra que eu lembrava, descobri que quem canta é Danni Carlos (de quem eu já gostava da voz, mas achava um desperdício ela cantar todos aqueles covers e não ter música própria). Descobri também que a música está nessa novelinha ridícula das 8. Pelo menos é tema do Lázaro Ramos e da Débora Falabella, dois atores de que gosto muito.

Well, nem tudo está no lugar certo o tempo todo.

Ah, o compositor é Dudu Falcão.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Mais uma de dor

Prego por prego, desde o começo, tudo estrategicamente planejado. Tudo errado. Como é que eu consigo ser tão equivocada? Inadequação recorrente, é isso o que sinto. Além de me pregar sozinha, ainda erro a martelada e acerto os próprios dedos, em vez dos pregos. De novo e de novo. Como pregar uma verdade em que eu mesma não acredito? Nunca aprendi nada. Cega, burra, estúpida. Traumatizo duplamente: pela repetição e pela intensidade. Muitos golpes, todos muito fortes. Alguma luz: própria imagem distorcida, refletida no espelho do teto. Uma confusão de ego com amor próprio. A morte. A ressureição.

(Desenho de Orlando Pedroso)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Preciso de um homem que me faça calar a boca"

(Post editado)
Acabo de voltar do filme da Clarah Averbuck, Nome Próprio. Cheguei do cinema sozinha, às duas da manhã, com a cabeça fervilhando de sensações, flashbacks. Escrevi um texto enorme, como se estivesse bêbada, identificando vários pontos em comum da trajetória de Camila com a minha. Cheguei a dizer a um amigo metido a crítico que qualquer comentário ruim sobre o filme eu levaria como crítica pessoal, mas ei, a noite passou, eu dormi, meu coração aquietou e, tirando a intensidade, a forma exagerada de amar e o gosto pela escrita, tirando o gosto pela montanha-russa, Camila não tem nada a ver comigo.

Eu não tenho mais os tais "colhões" pra me expor daquela maneira, como já tive. E nunca tive essa vida rock-n´-roll. Não me orgulho dos meus momentos ruins, prefiro vomitar minhas histerias em conversas de msn com amigos pacientes e caridosos, do que me abrir daquela maneira à gente que nem sei quem é. Mas ela tem colhões e tem todo o meu reconhecimento. A mulher escreve muito e o filme, para mim, não surpreendeu: era tão bom quanto eu imaginava. Nem mais, nem menos.

Não tenho sangrado em público, mas coisas assim me dão vontade de escrever. Escrever na parede, na mão, no guardanapo de papel do bar, no espelho, no teto, no abajur, no lençol. Eu não tenho o mesmo estilo de vida que a Clarah, não ouço as mesmas músicas, não faço as mesmas loucuras, não uso a mesma roupa, mas não tive como não me ver em muitas cenas do filme. Vi o que penso, o que sinto, o quanto me iludo. Vi minha histeria de fora e gente, não é justo afogar meus amigos nesse poço profundo de pensamentos histéricos. Não posso ir pra terapia ainda e os coitados devem estar sofrendo demais com isso.

Se eu multiplico por 100, Clarah Averbuck multiplica por mil e, honestamente, não sei como ainda está viva. Só escrevendo mesmo. Só vomitando todo essa intensidade em páginas internéticas. Mas isso tudo é a Clarah, ou a Camila, não sei. O filme? A nota máxima era 5 e foi essa a minha nota. Direção de atores perfeita, locações exatas (tirando que não apareceu a Fun House), Leandra Leal (nunca imaginei!) muitíssimo bem. As partes lentas não me irritaram muito, mas acho que pra quem não sente assim, inteeeeeeeeeeeeeeeeeeeenso, deve ter incomodado. Eu gostei muito.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

domingo, 28 de outubro de 2007

Museu do Ipiranga




Meu caminho de todos os dias não é dos melhores: viadutos sobre linhas de trem, fura-fila, vias em reforma e fumaça. Mas quando eu passo em frente desse lugar me vem uma súbita vontade de fazer o sinal da cruz, como uma católica devota quando passa em frente à igreja.


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sonho

E quando me olhei no espelho e vi o seu rosto, em vez do meu, lembrei de quando você me disse que tudo o que a gente vive faz parte de quem a gente é, da nossa constituição.

Acordei triste de saudade, mas feliz por saber que você sempre fará parte de mim.

...

Será que você veio do passado para anunciar o novo?
Porque sinto a batucada se aproximar.
Certas músicas nunca envelhecem.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Medos e certezas

medo de não mudar
medo de não mudar nada
ficar tudo no mesmo lugar

medo de ouvir "veja bem:
sabe tudo o que te prometemos?
desculpe, mas hoje não tem"

meu apego não é pelas coisas do mundo
nem pelo resultado, no final da linha reta.
meu apego é pelas idéias e, no fundo,
sou é vidrada em estar certa.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Apavorado, o moço do novo pet shop sai com meu cachorrinho no meio do banho, o pobre ainda molhado e enrolado numa toalha:

- Você está vendo, né? Eu vou ter que cobrar uma taxa extra, moça. Seu cachorro tem um temperamento muito difícil e eu estou levando o dobro de tempo para desembaraçar os pêlos.

Eu acompanhava tudo pelo vidro. Meu cãozinho George comia o vento quente do secador, mordiscava as mãos do moço e latia compulsivamente, ao lado de um pacato e gigantesco São Bernardo, que realmente levara metade do tempo no banho. Só pude cair na gargalhada:

- Suspende o teste de DNA que o filho é meu!

domingo, 7 de outubro de 2007

De trás pra frente

Porque começo as coisas pelo fim, às vezes, não quer dizer que as coisas não precisem ter um início, mesmo que seja no final.

....
"Eu jogo ao fogo todo o meu sonhar
Eu quero ver o fogo se queimar
E até no breu reconhecer
A flor que o acaso nos dá
Eu jogo pérolas ao deus dará"

Pérolas aos poucos (Zé Miguel Wisnik e Paulo Neves)

Ninguém se deslumbra o bastante

Ninguém me disse que era tão maravilhoso quanto realmente é. Ninguém me encheu o saco o suficiente pra eu acreditar e entrar no despero de querer ver o mais rápido possível. Se tivessem me falado do Museu da Língua Portuguesa da mesma forma que fizeram com Tropa de Elite, talvez eu tivesse acreditado. Quanto tempo perdido. Acho que é porque a palavra "museu" tem um peso que não condiz com o que é o lugar. Aquilo é um universo de sensações, uma viagem, um sonho, um mergulho no mundo das palavras. Museu é coisa do passado. O lugar devia se chamar Apoteose da Língua Portuguesa.

.........

"Não facilite com a palavra amor. Não a jogue no espaço, bolha de sabão. Não se inebrie com o seu engalanado som. Não a empregue sem razão acima de toda a razão (e é raro). Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra. Não a pronuncie."

O Seu Santo Nome - Carlos Drummond de Andrade

sábado, 6 de outubro de 2007

Nuncas

Não, não adianta você entrar aqui e achar que vai encontrar algo novo. Eu não tenho tempo pra isso, sendo "isso" o ato de sentir, pensar, escrever e publicar.

Nunca trabalhei tanto. Apesar das grandes dificuldades presentes, nunca foi tão fácil acordar, tomar meu banho quente que termina com o choque térmico de uma ducha gelada, nunca fiz questão do café da manhã como faço hoje, nunca havia esquecido tantas vezes onde parei meu carro ao sair, nunca havia ficado até às 10, 11, 12, 1, 2, 3 da manhã no trabalho, nunca na quarta, na quinta e na sexta, nunca tantas vezes, nunca sorrindo, nunca cantando, nunca gargalhando, nunca sem dinheiro, nunca.

Nunca vou deixar de escrever meus desabafos, porém, nunca mais com tanta freqüência.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

If I´ve cried or smiled, what matter are the emotions I´ve lived

Ela cantou Smile e eu sorri.
Depois cantou La Vie En Rose e eu dei uma choradinha, bem de leve.
Leve, foi assim o show de Madeleine Peyroux.




Delícia de terça-feira. Ela tinha razão quando disse "It feels like saturday night".

terça-feira, 18 de setembro de 2007

terça-feira, 11 de setembro de 2007

You Gotta Be (Iara Negrete)

Listen as your day unfolds
Challenge what you're future holds
Try to keep your head up to the sky
Lovers they may ‘cause your tears
Go ahead, release your fears
Stand up and be counted, don't be shame to cry
You gotta be
You gotta be bad
You gotta be bold
You gotta be wiser
You gotta be hard
You gotta be tough
You gotta be stronger
You gotta be cool
You gotta be calm
You gotta stay together
All I know, all I know, love will save the day
Herald what your mother said
Read the books your father read
Try to solve the puzzles in your own sweet time
Some may have more cash than you
Others take a different view
My oh my
Time ask no questions, it goes on without you
Leaving you behind if you can't stand the pace
The world keeps on spinning, can't stop if you tried to
The best part is danger staring you in the face
Listen as your day unfolds
Challenge what your future holds
Try to keep your head up to the sky
Lovers they may ‘cause your tears
Go ahead, release your fears
My oh my

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Foi a tesoura do desejo


Sabe quando você corta o cabelo e todo mundo que te vê diz "Nossa, que diferente!", mas ninguém diz "Puxa, que legal que ficou!"? Então, às vezes acontece isso. E tudo bem.

"O que é que houve meu amor, você cortou os seus cabelos?

Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar." - Alceu Valença.



quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Ainda bem que o meu ascendente é Áries

Quiroga, hoje, para os arianos:


16 agosto 2007
Amor é uma palavra oca, que se tornou depósito das carências e lamúrias de nossa humanidade. As pessoas esqueceram que amor não é um sentimento, nem um prêmio que se recebe, mas uma atitude positiva, a de oferecer o melhor da alma ao mundo.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Hoje me deu saudade do Vinícius

PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR
(Vinícius de Moraes)

Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.
E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nosasas malas seguiramsozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malasestrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meucotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sairpara fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo vocêse deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque vocêé a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada",a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enchede vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Finalmente!

Até que enfim o Speedy liberou o acesso ao blogspot e eu posso acessar daqui de casa!

Agora sim vou poder despejar toda a minha tpm aqui, onde é o lugar dela!

O problema é que já descontei em tanta gente que agora nem sobrou desaforo!

Só sobraram exclamações!!!

...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Uma toada para João e Maria - O amor segundo Chico Buarque


Não precisa ser por você, por suas histórias ou dramas pessoais. Pode ser pela história dos seus pais, do seu amigo, do vizinho ou até mesmo daquela trama boa que você acompanhou numa novela do passado, mas o fato é que em "Uma toada para João e Maria" - espetáculo protagonizado por Lilian de Lima (voz) e Rodrigo Mercadante (voz) e dirigido pelo brilhante Milton Morales Filho - só não chora quem tem o coração duro demais.

O casal conta, em lindíssimas interpretações das canções de Chico Buarque, uma história de amor, desde o início perfeito - passando pelo meio cheio de intrigas, ciúmes, ódio, tédio, traição, vingança e reconciliação - até o fim. A narrativa musical é cortada por citações de Carlos Drummond, Nelson Rodrigues, Adélia Prado e outros gênios.
Aquelas coisas de abraçar o amigo e soluçar, sabe? Vexame total. Mas olha, não era por ninguém não. É pelo amor, mesmo. Ô coisinha difícil e deliciosamente louca. Bom pra lembrar como é. O amor até existe. Dói, mas é bom. O espetáculo? Terapia do choro com grandes toques de esperança. Vale muito mais do que pesa no bolso.

Picasso Bar
Rua Álvaro de Carvalho, nº 35 - Bela Vista - São Paulo - SP
R$ 10,00
Quintas, às 21 h
Tel.: (11) 3101-3537

Viva o frio

Se não tivesse insistido em sair debaixo dos meus 4 cobertores quentes (incluindo o pink), se não tivesse me atirado no chuveiro de águas não tão quentes quanto eu gostaria, se não tivesse pulado de tanto frio ao sair, se não tivesse colocado duas calças e 3 blusas, se não tivesse dito tchau para o George, jamais veria o lindo dia congelante de inverno com céu azul e sol que eu tanto amo.

Vale a pena acordar.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

“Vi um monte de lugares exóticos no meu trabalho e em todas as minhas viagens. Mas o lugar que ainda quero ver é o que está nos olhos de alguém. Sabe como é: viaje menos, veja mais.
...
A suposição de que uma coisa não é para nós é uma suposição que, cedo ou tarde, pode ser desfeita. É muito importante conceder-se o direito de mudar de idéia. Porque, se a gente consumir toda a nossa energia em pôr a porta abaixo, o que é que vai fazer quando entrar lá?”


Elvis Costello

terça-feira, 17 de julho de 2007

A mística.

Algo de muito estranho aconteceu hoje de manhã.
Queria usar um colar novo que ganhei de aniversário. Fui tirar a etiqueta com uma faca, mas acabei cortando a correntinha junto. Então, escolhi um outro colar, daqueles compridos, de duas voltas, cheio de pedrinhas. Coloquei e, ao ajustá-lo no pescoço, o colar estourou, fazendo as pedrinhas quicarem por todo o corredor.

Macumbeiristicamente falando, em termos de energia, entidades, gnomos e bruxas, o que será que significa isso?

domingo, 15 de julho de 2007

Eis o motivo do meu sumiço




George, o trabalho, a academia e as comemorações pelos 31 invernos não me deixam parar para escrever. Mas eu volto a qualquer hora com novidades. Aguardemmmmmm.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Fragmentos de um discurso meloso


... aí eu chorei, porque fazia tempo que eu não chorava e fiquei melhor. Parece que derreteram as coisas pesadas aqui dentro um pouco sabe? Tipo agora. Acho que tudo isso, isso tudo que tem aqui dentro, é choro. Choro duro, tipo cinza de vulcão, cinza de lava. Mas deve ser inferno astral, mesmo. Já passa. Você não cabe no envelope, mas promete que, se couber um abraço seu, daqueles bem fortes, você me manda pelo correio?

terça-feira, 26 de junho de 2007

Tudo o que eu podia fazer eu já não fiz

Tudo o que eu podia fazer eu já não fiz
E não adianta você vir me dizer
o que fazer agora
Não fiz porque não quis fazer na hora

A gente escolhe o que é melhor a cada momento
Nem sempre a opção certa é a que mais nos cabe
Na verdade, a gente nunca sabe
Só mesmo o tempo

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Assim o ser surta

Eu vivo dizendo que tudo é psicossomático, que a gente mesmo é que fabrica as próprias doenças com os nossos pensamentos e a nossa forma de encarar os dilemas da vida. Há aquelas doencinhas oportunistas, que arrasam com a gente nos momentos mais sensíveis, em que nossa imunidade está baixa, há aquelas que a gente desenvolve porque não fala o que tem vontade, aquelas que a gente tem porque não pode sentir as coisas na hora certa e uma infinidade de outras efermidades que chegam por nossa única e exclusiva culpa.

Mas acontece que somos humanos, somos assim. Não fique se martirizando porque se não, mais uma doença é criada, só pela culpa sentida por ter criado uma doença. Outra coisa: não é só porque, de repente, as fichas caíram e você se conscientizou de que o que você tem foi criado por você, que os seus sintomas desaparecerão e você estará curado. A doença é psicossomática e não imaginária. Você cria, de verdade. Ela existe, de verdade. E curar dá um trabalhão danado.

Então, querido, muito cuidado com as doenças que você cria. Procure manter a mente no lugar, o corpo saudável, as emoções em dia e todas as áreas da vida em equilíbrio. É melhor prevenir do que remediar.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Não por acaso

Super cinza, super deprezinho. "Não por acaso"*, super São Paulo. O Rodrigo, lindo, super rústico. Ai. Super ai.

Apesar de cinza, o filme não deixa uma sensação negativa no final. Muito pelo contrário: o final é super "óun".

* Não peço perdão por meus trocadilhos. As pessoas deveriam pedir desculpas por pedirem perdão a cada trocadilho.


Premonições e o cigarro


O filme não é tão tosco quanto eu imaginava, mas nem quero fazer críticas ao roteiro ou às atuações. Quero apenas tecer um elogio ao diretor, que conseguiu, de forma inusitada, demonstrar o desespero de Linda (personagem vivido por Sandra Bullock) ao fumar, mas sem mostrar o cigarro.

Imagem de gente fumando em filmes dá muita vontade de fumar (em quem fuma, é claro). Cortar o cigarro dos filmes dá um ar inverossímil às coisas. Nem todo mundo fuma, mas algumas pessoas ainda fumam, ué. Ao mostrar a ação e esconder o objeto, o filme fica fiel ao caráter dos personagens. Aquela mulher tinha que fumar. Era uma exigência do personagem. Todo mundo viu que ela fumou, mas ninguém viu o cigarro. O filme acabou e eu não saí correndo para fumar um cigarrinho.

Aliás, amanhã faz um mês que eu não faço isso.

Parei de novo e desta vez, acho que é pra sempre.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Canção da Semana

Rita Lee
Saúde

Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!

Como vai, tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!

terça-feira, 12 de junho de 2007

Um dia qualquer

Falas de amor, e eu ouço tudo e calo
O amor na Humanidade é uma mentira.
É. E é por isto que na minha lira
De amores fúteis poucas vezes falo.
(Augusto dos Anjos)

segunda-feira, 11 de junho de 2007

PEI - Pacote Econômico de Idéias

Sumi, mas não foi falta de assunto não. Na verdade, "eu tenho tanto pra lhe falar", que acabo me perdendo entre os temas, esqueço de anotar e sabe lá Deus onde estará o meu mini-gravador. O mundo está girando tão rápido, que quase perdi o equilíbrio noutros dias aí. Tropecei, mas não caí do salto e agora estou firme e forte e no eixo e quase inteira. Logo mais vou poder até pensar em arrumar um namorado, mas, por enquanto, hei de economizar idéias. É que vou precisar muito delas no próximo período, não posso gastá-las à toa. No mais, tanto já foi dito e tanta gente anda falando tanta coisa repetida que nem dá tanta vontade, sabe?

Imagino que, mesmo com o meu novo pacote econômico de idéias, eu apareça com mais freqüência por aqui, porque quem guarda, tem.

Boa semana e até breve.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Re-comenda: Conversations with other women

O título em inglês não é lá essas coisas, mas infinitamente melhor do que a tradução: "Nosso amor do passado". Tá, confesso que peguei o filme justamente pelo título em português, mesmo sendo assim, horrendo... Em dias de inferno astral, me pego pensando que amo alguém que já passou pela minha vida e alimento essa nostalgia buscando saber notícias, ouvindo músicas temáticas da relação, vendo filminhos que me remetam àquela situação e assim vou caminhando, achando que o meu coraçãozinho ainda bate. Não tão feliz, porém antes bater triste do que simplesmente não bater.
A primeira supresa foi a trilha sonora: Carla Bruni na cabeça (ainda no menu!). Depois, aquela atriz com cara de maluquinha que eu não lembrava de onde eu conhecia (Clube da Luta, claro!). E o loirão que é o meu homem do momento, Aaron Eckhart. Eu já tinha pirado nele em "Obrigado por Fumar", agora então... (sem mencionar, mas já mencionando, que ele é uma versão melhorada do nosso manjado Alemão, do Big Brother).
Além da brilhante técnica de edição em duas telas, o filme é riquíssimo em diálogos que me dão saudades de um tempo em que eu tinha respostas dignas para todas as minhas tiradas. É bastante tenso em certas partes e deixa o final a critério do espectador. Eu recomeinnnndo.


segunda-feira, 28 de maio de 2007

Sorria

O bom da tpm é que ela passa.

bloody blood

Sobre o amor em dia de tpm absoluta

Tive apenas dois grandes amores em minha vida: um imaginário e um real. Como o imaginário foi pura fantasia da minha cabeça insana...

...
Sobre o perdão em dia de tpm absoluta

Preciso aprender a me perdoar por não conseguir perdoar uma pessoa que jamais me pediu perdão.

...
Sobre a calma em dia de tpm absoluta

Água com açúcar ajuda, mas não adianta!

...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Perfume

Sempre ouvi dizer que a justiça era cega, mas nunca me disseram que, para compensar a deficiência visual, ela havia apurado o olfato. Ótimo filme. Eu recomendo.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Mais um fiasco da mulher no poder

Embora exausta dos inóquos debates de assuntos que comparam, genericamente, seres do sexo masculino e seres do sexo feminino, não posso deixar de comentar sobre o lamentável episódio ocorrido entre Clodovil e a deputada Cida Diogo.

Não aprecio falta de educação, muito menos tolero chiliques de gente que nunca gostou de mulher, mas peralá: as mulheres lutam tanto para alcançar uma posição de destaque na sociedade, reclamam tanto da falta de igualdade de direitos com relação aos homens, mas são tão mulherzinhas às vezes...

Aquele ataque de tpm no congresso foi vergonhoso! Como é que pode uma mulher se dar ao luxo de cair no choro porque um qualquer a chamou de "feia"!?!? É como se um deputado se debulhasse em prantos se um colega o chamasse de "corrupto", ou se eu me descabelasse porque o meu irmão me chamou de "boboca". Que falta de compostura!

Eu insisto, bato na tecla: queremos participar ativamente do governo do país, ter salários compatíveis com os dos homens? Então temos que agir, no mínimo, como eles!!! Homem não tem tpm! Homem não cai no chororô por qualquer bobagem! Homem não tem cólica!

Tá, homem que é homem também não fica depreciando a mulherada por aí, mas não nos nivelemos por baixo, né gente?

Os pés também sonham...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Ska - Herbert Vianna



A vida não é filme, você não entendeu
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
Sabendo o que passava no seu coração
Se o que você fazia era certo ou não
E a mocinha se perdeu olhando o sol se pôr
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu

E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais

A vida não é filme, você não entendeu
De todos os seus sonhos não restou nenhum
Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu
E só você não viu, não era filme algum
E a mocinha se perdeu olhando o sol se pôr
Que final romântico, morrer de amor
Relembrando na janela tudo que viveu
Fingindo não ver os erros que cometeu

E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais

E assim
Tanto faz
Se o herói não aparecer
E daí
Nada mais.

"Será que nossa humanidade terá de atingir o clímax do sofrimento para só então se iluminar com a resposta certa aos seus problemas?"

Quiroga pergunta, Madame Ox-Xalalá responde!

Olha, seu Quiroga, eu não posso falar pela humanidade não, mas quanto a mim, tô me iluminando bem, viu? Comprei sombras douradas, auto-bronzeador, delineador com glíter, gloss deep shine, a parafernália toda. Isso sem falar no corretivo, que eu tava mesmo precisada. Tô quase uma buda-mole-iluminada!

Que Deus não me mande mais nenhum sinal
desses que Ele tem mandado,
Chega de passar mal
Eu já entendi o recado.

(só porque rimou, virei Luzia e decidi fazer poesia, haha)

Vou me debandar é pra luz! O negócio é brilhar, brilhar muito, que a resposta certa vem. Eu sei que estou parecendo uma drag-queen no cio declamando essas frases cheias de purpurina, mas é que já dizia a Macy Gray (lembram?): "When you don´t know what to do, just be beautiful!"

O mal todo é a cabeça da gente que faz. Então vamos parar de perder tempo com bobagens, ok? Pense no bem que o bem vem! (se ligou no meu bordão tipo "Deus é 10!?") Tá, eu vou abrir o meu templo (da perdição) e já estou angariando fundos para a construção. Para quem quiser contribuir, a conta é no Banco da Renata, agência XuXuXu-XaXaXa (é o jeito novo de se dançar). Ah, e muita luz pra que não se auto-ajuda também, tudo de bom! Muito axé! Porque tudo nessa vida é auto-ajuda! Afinal de contas, somos todos egoístas e só ajudamos a nós mesmos!!! haha (ué, temos que estar inteiros para depois ajudar os outros, não é não?)

Entendo, entendo que estou praticamente uma Macaca Simã, só que sem a parte engraçada, entendo. Eu não tomei nada, nenhum tipo de colírio alucinógeno, eu juro, é que é muito bom estar com vocês, é muito bom brincar com vocês! hahaha

E o meu avozinho com Alzheimer me chamando de Xuxa, gente, que luxo, né? Só me chama de Xuxa o velhinho, que hoje chorou ouvindo Nelson Gonçalves. Dia das Mães na boemia... aqui me tens de regresso... E o avozinho: "Esse sim é cantor!" chorando e se acabando na cerveja sem álcool. Ô, tristeza! Aniversário de 83 anos do vovôzinho lindo.

Para as mães que vieram para a festa, colocamos o novo hit do youtube, vocês sabem, aquela linda canção: "Vai tomar no..... ". Não podíamos ter feito homenagem melhor, a mulherada da família se descabelou de tanto rir. Você já ouviu? Não? Então, vai pra p... do youtube procurar um vídeo chamado Amor e Carinho. Vai lá.

Post em estilo old times, para celebrar este momento iluminado. E olha que o Papa já foi embora, hein?! Sim, foi embora e me deixou sem papas na língua. Tô afiada hoje que tô até com medo. Socorro!

Boa semana para todos.


Amém.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Meu coração não sei por que

É difícil estar tudo bem, tudo ótimo, meu coração não está acostumado a não precisar de nada, nem de ninguém. Ele está tão habituado ao sobe-e-desce das montanhas-russas diárias, frios na barriga constantes, preocupação, stress e o turbilhão de emoções de sempre, que viciou. Então mesmo quando eu não estou sentindo nada, absolutamente nada, ele jura que está lá, iuuuuupi, ladeira abaixo e aí, acelera, acelera, acelera e atrasa e acelera e atrasa... O bichinho fica totalmente sem ritmo, coitado. É como o estômago da gente que se engana com o chiclete. Você tá lá, mastigando aquela borrachinha que não tem função alguma para o seu organismo, mas o seu estômago entende que, se tá mastigando, tá engolindo, se tá engolindo, precisa jogar lá as substâncias pra dissolver aquilo tudo. Só que não tem nada e ele acaba se auto-deglutindo. Além disso, eu ainda esqueço de respirar. Ó, céus.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Love Bites

Alguém conhece esse seriado? Quero saber se já passa ou quando vai passar aqui. Pelas ceninhas que eu vi no you tube parece ser ótimo!

domingo, 6 de maio de 2007

Por que eu amo o Homem Aranha

Eu não sei se o filme é fiel à história em quadrinhos e, pra ser honesta, não me interessa saber. Sei que aqueles efeitos todos são arte da melhor qualidade, principalmente nas cenas do Homem-Areia.

O Homem Aranha é o herói mais humano do qual já tive notícias: apaixonado, desajeitado, egoísta e suscetível a todas as fraquezas dos mortais comuns. Pra fechar, ainda tem o inimigo/melhor amigo/inimigo/melhor amigo mais lindo de toda a galáxia.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Saco de machismo



Estou bem de saco cheio desses papinhos de que "os homens isso", "as mulheres aquilo" e bla bla bla. Mulheres são um saco também, mas não têm saco pro saco que são os homens, o que torna o desenho do Orlando um tanto quanto direcionado para os machos, enquanto seres sacais.

terça-feira, 1 de maio de 2007

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Homem-sushi

Sabe aquele tipo de homem que é igual à comida japonesa? Você prova a primeira vez, detesta. Experimenta uma segunda, afinal, o ambiente é agradável, o prato é saudável e, além de tudo, tá na moda, mas você simplesmente não tolera. Na terceira, seu estômago rejeita, mas é tudo tão bonitinho, colorido, vem num barquinho… E você acaba tentando uma quarta vez, depois de três dias sem comer. Dessa vez, você até simpatiza um pouco. Na quinta vez, descobre que tacando shoyo fica tudo lindo e na sexta vez, já está viciada.

Não se iluda minha amiga, esse tipo de homem não existe, tá? Se você não gostou na primeira vez, não vai gostar na segunda e nem precisa tentar mais.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Eu, você e todos nós (de Miranda July)



O amor deixa a gente bem besta, insegura, dá dor de barriga, frio na espinha, mudez, cegueira, surdez e sintomas jamais imaginados.

Mas que é lindo, ninguém pode negar. Ai, que vontade que dá.


Escrito por Renata Oxendorff

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Gira-mundo


Quantas voltas o mundo deu
desde que você nasceu
Em torno de si, em torno do sol,
em torno de você e eu?
Que o mundo gire
Que você não caia
Mesmo sabendo que a cada giro,
aperta o passo
Rode a saia!
Não perca o compasso,
mesmo que se canse
Dance
Porque a vida é música, o tempo é ritmo
e o palco é todo seu.

Escrito por Renata Oxendorff

Memória

Hoje eu tô me esquecendo de alguma coisa que eu não tô lembrando o que é.

sábado, 21 de abril de 2007

L´amour

Sonhei com você mais uma vez. De tempos em tempos você volta às minhas noites, só pra me lembrar que os meus dias ainda podem ser lindos.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O tempo...

... está curto e o trabalho, muito. Mesmo assim, vou passar por aqui e deixar para você o que eu gosto, sempre que puder. Se por um acaso você gostar também, melhor para todos nós.


quarta-feira, 18 de abril de 2007

Novo blog!

1, 2, 3, testando.
Eu não estou ouvindo a minha voz.
Cadê o retorrrrrno?!
...

Aqui estou eu numa nova experiência. Experimento, logo existo.

Muito me incomoda o sentido pejorativo ao qual o termo "mulherzinha" tem sido associado. Há 5 anos (?!), batizei de Mulherzinha o meu diarinho virtual (coisa meiga!) porque a palavra traduzia bem o meu momento pré-mulherescente. Isso passou. Trintão, mulherão, não tem mais nada "inho" aqui.

Além disso, estou extremamente enjoada de tudo o que está por aí se referindo às mulherzices em geral: esses papinhos de comparação homem/mulher já deram no saco até de gente que não tem saco, como nós. Machismo, feminismo, ai ai ai, que cansaço.

Não sei ao certo o que vou escrever aqui. Corro o risco de cair na mesmice sim, já que vou falar o que se passa pela minha cabeça, ou o que eu quero que vocês acreditem que se passa pela minha cabeça, ou ainda o que não passa nem perto da minha cabeça e, eventualmente essas coisas acabam se repetindo... Na verdade, o lance aqui vai ser mais ou menos a mesma coisa que tenho postado por todos esses anos lá no Mulherzinha, afinal de contas, a gente cresce, mas mudar mesmo, demoooooora.

Então tá, mudei de casa. Por enquanto vou continuar postando lá e cá, até acostumar.

Bem-vindos.


postado por Renata Oxendorff