quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A (fuz)arca de Noé, por Vinícius de Moraes

Sempre me orgulhei de minha infância musical, quando Chico Buarque, Toquinho e Vinícius faziam parte da trilha sonora diária, das encenações, coreografias e fantasias de criança. "Privilégio de dar inveja à qualquer ser que tenha nascido na década de 90", eu me gabava.

Porém, noite dessas comprei dois cds na Vila Madá (tudo que me oferecem enquanto eu estou sentada numa mesa do Filial, eu compro, mesmo que seja com cheque pré-datado): Os Saltimbancos, de Chico, e A Arca de Noé, de Vinícius.

O primeiro, eu sei de cor, todas as falas, até hoje. Chega a assustar quem, por falta de sorte, estiver ao meu lado numa de minhas exibições no carro, a caminho de casa. Eu devo ter sido uma coisa muito Maísa-a-menina-que-trabalhava-no-Raul-Gil. Talvez eu continue sendo. Socorro!

Quanto ao segundo, nossa, fazia muito tempo mesmo que eu não ouvia O Pato Pateta e adjacências, e juro que, apesar da decepção sofrida por constatar que não tive uma infância tão pura e límpida quanto imaginava, me deu um certo alívio: a dança do créu não pode causar mais danos às crianças de hoje, do que As Frenéticas causaram em mim. Nossas crianças estão salvas! Ou não!!!

Veja o vídeo e siga a bolinha (veja letra abaixo):



As Frenéticas - Aula De Piano
(Vinicius de Moraes)


Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
A menininha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menininha, tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim:
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a mão daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E a agora o sol, fá
Pra lição acabar

Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
E finalmente deitaram na fama
Tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos em concertos de amor
Mas na verdade, tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a mão daí
Dó, dó, ré, dó, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E a agora o sol, fá
Pra lição acabar


...

E agora o "sofá" pra lição acabar? Ô pureeeeza!

Logo mais trarei novas pérolas de minha educação musical contidas na Arca de Noé.

Estou quase entendendo porque vive uma histérica dentro de mim.

...

Um comentário:

César Augusto disse...

Realmente é nítida a mensagem "não pura", digamos assim, mas para as crianças era mais difícil perceber, ainda mais naquela época que nem "ficar" existia!

Hj em dia tá tudo muito descarado e dúvido que exista uma criança que não saiba o que significa "créu"!

Tenho orgulho de ter sido criança naquela época e dó das que são na de agora!

Qto aos saltimbancos..., é uma pena não termos fotos para ilustrar o seu conhecimento das letras, se é que vc me entende!

Beijo e não esquece a multa!!!!