quinta-feira, 24 de abril de 2008

Sou do tempo em que as fichas caíam...

... e a que me caiu ontem, ainda pela manhã, bem antes do terremoto, foi aquela velha máxima "Quem ama, educa". Eu nunca havia pensado nesse "amor" da frase como "amor-próprio". Sempre achei que, ao me permitir cometer pequenos delitos - como fumar um cigarrinho, cabular a academia em prol de uma esticada no sofá com uma tigela de pipocas e afagos de George, o cão - estivesse tratando bem da minha pessoa. Satisfazer minhas vontades imediatas e mimar meu próprio ser com benefícios instantâneos sempre foi, pra mim, sinônimo de amor. "Eu me permito", diria eu, me enganando, numa cena típica de mulher de malandro (sendo o malandro, no caso, a "espertalhona" aqui).

Tola.

Quem ama, educa, burra. E quem aprende a se amar se reeduca.

Sentir o que o corpo pede e atender ao pedido é uma coisa. Saber o que o corpo realmente precisa é outra, completamente diferente. Nem sempre atender à necessidade real do corpo é mais fácil do que atender ao pedido mimado da máquina viciada. Mas os benefícios são incrivelmente proveitosos e a vida pode ficar muito mais prazeirosa.

Não é só de corpo que eu estou falando, obviamente. Tô falando de amor próprio em todas as situações. Em relação a si, aos outros, em qualquer tipo de relação. Tô falando de se reeducar, reaprender e começar tudo de novo. Tô falando de uma verdadeira mudança de atitude perante a vida e a si mesmo. Tô falando de renascimento.

Parei de mimar essa criancinha que vive dentro de mim. Ela continuará viva, mas muito bem educada, com hora certa pra brincar, pra estudar, pra dormir e até pra pular na cama de vez em quando.

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