terça-feira, 30 de outubro de 2007

"Preciso de um homem que me faça calar a boca"

(Post editado)
Acabo de voltar do filme da Clarah Averbuck, Nome Próprio. Cheguei do cinema sozinha, às duas da manhã, com a cabeça fervilhando de sensações, flashbacks. Escrevi um texto enorme, como se estivesse bêbada, identificando vários pontos em comum da trajetória de Camila com a minha. Cheguei a dizer a um amigo metido a crítico que qualquer comentário ruim sobre o filme eu levaria como crítica pessoal, mas ei, a noite passou, eu dormi, meu coração aquietou e, tirando a intensidade, a forma exagerada de amar e o gosto pela escrita, tirando o gosto pela montanha-russa, Camila não tem nada a ver comigo.

Eu não tenho mais os tais "colhões" pra me expor daquela maneira, como já tive. E nunca tive essa vida rock-n´-roll. Não me orgulho dos meus momentos ruins, prefiro vomitar minhas histerias em conversas de msn com amigos pacientes e caridosos, do que me abrir daquela maneira à gente que nem sei quem é. Mas ela tem colhões e tem todo o meu reconhecimento. A mulher escreve muito e o filme, para mim, não surpreendeu: era tão bom quanto eu imaginava. Nem mais, nem menos.

Não tenho sangrado em público, mas coisas assim me dão vontade de escrever. Escrever na parede, na mão, no guardanapo de papel do bar, no espelho, no teto, no abajur, no lençol. Eu não tenho o mesmo estilo de vida que a Clarah, não ouço as mesmas músicas, não faço as mesmas loucuras, não uso a mesma roupa, mas não tive como não me ver em muitas cenas do filme. Vi o que penso, o que sinto, o quanto me iludo. Vi minha histeria de fora e gente, não é justo afogar meus amigos nesse poço profundo de pensamentos histéricos. Não posso ir pra terapia ainda e os coitados devem estar sofrendo demais com isso.

Se eu multiplico por 100, Clarah Averbuck multiplica por mil e, honestamente, não sei como ainda está viva. Só escrevendo mesmo. Só vomitando todo essa intensidade em páginas internéticas. Mas isso tudo é a Clarah, ou a Camila, não sei. O filme? A nota máxima era 5 e foi essa a minha nota. Direção de atores perfeita, locações exatas (tirando que não apareceu a Fun House), Leandra Leal (nunca imaginei!) muitíssimo bem. As partes lentas não me irritaram muito, mas acho que pra quem não sente assim, inteeeeeeeeeeeeeeeeeeeenso, deve ter incomodado. Eu gostei muito.

4 comentários:

Alexandre disse...

Franca sinceridade; me deixou surpreso, e confesso que não esperava. Uma reação dessas faz - para mim - uma boa publicidade do filme, embora a semiótica (óbvia) pareça ser a feminina. Tudo bem; para terminar, vale lembrar uma adorável frase de um filme que revi esses dias, a personagem chama-se Clementine (sabe quem é ?;-) - Sou só uma garota neurótica querendo ganhar sua paz de espírito. Nada mais apropriado; mas não são só as meninas. Os guris, idem na mesma data...join the club, darling (rs)...adorei.

Renata Oxendorff disse...

Não deixou nem o e-mail... Homens. blé.

Si disse...

Ando tão afastada do cinema ultimamente... mas sua narrativa provocou vontades, de ir ao cinema, óbvio, de ler, de escrever, de sair de casa, da frente do computador e viver um pouco. Esse "ladrão das horas" (computador + internet) às vezes leva mais do que tenho.

Tathy disse...

Já tô namorando esse filme faz tempo... quando entrar em cartaz aqui no rio eu vou assistir com certeza! bjs